Certa vez passearam pelas linhas da minha mão. Nela, viram minha vida. "Você viverá muito". E uma velha sensação tomou meu ser. Desconfiado, não quis acreditar. Será mesmo verdade? Quem ela realmente é para me apresentar estas palavras?
De dentro do peito um "Sim" pulsado estende-se por mim. A verdade. Não nas palavras, mas em mim. E esta se faz presente nos meus passos até hoje. E esta se apresentará sempre em mim.
E o barro do meu corpo se sente frágil. Medo maldito. Me desliga. Me deixa só. Neste caminho escuro, tateando e se movendo com cuidado. Sem ver onde chegarei. Me pergunto se conseguirei. Passar por tudo que há por vir. Ver aqueles que eu amo partir. Ver o mundo em que vivo se acabar. E o pior, nunca se achar.
Quando, neste tempo, passarei do brincar para o viver? Quando?
Quando conseguirei retirar a armadura, baixar a espada e apenas fluir?
Quando conseguirei me ver?
Respostas não me vem. Apenas aguardar.
E neste logo caminho, a única coisa que posso fazer é caminhar.



